Preciso de Flores!

Estão guardadas na Quasi


terça-feira, 4 de setembro de 2007

Tratado de Botânica segundo Salomé

1ª Nota de Rodapé

estou um pouco ansiosa. talvez procure magnólias ou rosas. contentar-me-ei com rosmaninho?
.

.
Tratado de botânica, joana serrado.

para este poema, para esta formulação, para esta nota de rodapé que passa constantemente debaixo dos dias, tenho apenas uma frase da virginia woolf, uma fala da pequena susan d'as ondas, que diz: «estas palavras são brancas como seixos apanhados na praia».


o ficar ou avançar reside sempre numa questão essencial como essa. mas aqui ela é colocada na forma de poema, o que a torna ainda mais aguda. porque é pelos poemas, como este, que se vai chegando ao centro de tudo.


Ana Salomé , 4 de Setembro

3 comentários:

ana salomé disse...

o post que cita está aqui:
http://cicio.blogspot.com/2007/09/estou-um-pouco-ansiosa.html

o ficar ou avançar reside sempre numa questão essencial como essa. mas aqui ela é colocada na forma de poema, o que a torna ainda mais aguda. porque é pelos poemas, como este, que se vai chegando ao centro de tudo.

um beijo

Joana Serrado disse...

Olá Salomé

Que achas? Era para pôr tudo? Sabes, eu não percebo muito disto,é pena, pois se calhar pode fazer-se em formatos mais giros. Mas dá-me sugestões/ correcoes...

ana salomé disse...

olá joana.
parece-me bem. mas sabes, se tu não tens muito jeito por falta de experiência nestas lides, eu que já tenho experiência não tenho jeito mesmo por ser uma nabinha :D
acho que as outras meninas, limão e tóxica, poderão dar dicas muito mais proveitosas para o bem desta ideia óptima.

mas o essencial está aqui, conseguiste pôr.

beijinho

Emparedada/Uit de Muur

Emparedada/Uit de Muur
Um ciclo de poemas portugueses e neerlandeses

Klompen / Socos


Klompen/ Socos

Klompen/ Socos: tamancos, chinelas de pau, tb. acto de toque fisico, agressivo, da /tua, minha/ mao na / minha, tua/ face

Klompen


Gostava de te dizer como são os meus passos que me afastam de ti.
Como não vivo para ti, nem escrevo para ti.

Como não penso no meu amor, nem te amo em pensamento.

Como não te vejo nos lugares onde nunca estivemos juntos.

Como tu não me pisas quando me obrigas a seguir os teus passos,
ou como não me calcas quando descalças os pés às leonores
que bebem da tua fonte.

Como caminho firme e confiante pelos prados holandeses, entre as vacas e a lama,
e me afasto cada vez mais de ti.

Como os meus passos se afastam dos teus passos, correndo para longe, longe,
esperando que o mundo seja realmente redondo, e não plano,
e possa, um dia, chegar às tuas costas, tapar os teus olhos e dizer-te
mijn thuisland is niet meer mijn taal.


Socos


Ik wilde je zeggen hoe mijn stappen zijn die mij van je verwijderen.

Hoe ik niet leef voor jou, niet eens schrijf voor jou.

Hoe ik niet denk aan mijn liefde en je evenmin bemin in gedachten.

Hoe ik je niet zie op de plaatsen waar we nooit samen waren.

Hoe je me niet vertrapt wanneer je me dwingt je stappen te volgen,
of hoe je me niet plet wanneer je de schoenen uittrekt
van de leonoors die drinken uit jouw bron.

Hoe ik ferm en vol vertrouwen door de Nederlandse weiden loop,
tussen koeien en modder, en me steeds verder van je verwijder.

Hoe mijn stappen zich verwijderen van jouw stappen, rennend naar de verre verten,in de hoop dat de wereld werkelijk rond is, en niet plat,
en dat ik op een dag achter je sta, mijn handen op je ogen leg en zeg
a minha pátria já não é a minha língua.


Joana Serrado, Emparedada/ Uit de Muur, Uitgeverij de Passage, 2009, p. 32, 33

A minha pátria não é a minha língua